Corpo de garçom morto com tiro na cabeça no Rio chega ao Ceará; sepultamento ocorre em Ipaporanga

Corpo será sepultado no município de Ipaporanga, cidade natal do garçom. — Foto: Halisson Ferreira/TV Verdes Mares

Francisco Lima, 26 anos, voltava do trabalho quando foi baleado na comunidade Barreira do Vasco, em São Cristóvão, na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro.

O corpo do garçom Francisco Laércio de Paula Lima, de 26 anos, que morreu atingido por um tiro na cabeça na comunidade Barreira do Vasco, em São Cristóvão, na Zona Norte do Rio, no último sábado (9), chegou ao Ceará na madrugada desta terça-feira (12), após desembarcar no Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza.

Francisco Laércio de Paula Lima morava há 10 anos no Rio. Ele trabalhava em um bar na Lapa, no Centro da cidade. Testemunhas contaram que Francisco voltava para casa com uma sacola nas mãos e um copo de café quando foi surpreendido por policiais militares que saíram de um beco atirando e mandando quem estava na rua não correr. O cearense foi atingido por vários tiros, um deles na cabeça.

O irmão da vítima, o motorista Antônio Francisco, recebeu o corpo. Segundo ele, a família ainda está muito abalada e espera que seja feita justiça. “Os meus pais estão muito chocados até hoje com essa notícia. Muito abalados. O que nós queremos é justiça, porque ele era um rapaz trabalhador”, disse.

Antônio contou que soube da morte do irmão por uma familiar. "Nós sabemos dessa notícia pelo sábado pela manhã pela minha tia, que chegou em minha residência e contou que tinha uma notícia muito ruim para dar, que foi falecimento do meu irmão e que quem tinha tirado a vida dele tinha sido um policial".

Após o desembarque, o corpo do garçom foi enviado para o município de Ipaporanga, distante 375 km de Fortaleza. O sepultamento ocorrerá pela tarde. Ainda de acordo com Antônio, haverá uma caminhada na cidade em protesto contra a morte do garçom.

Solidário

Os amigos de Francisco lembraram de atos de solidariedade do garçom. Recentemente, ele havia organizado uma festa de aniversário para um homem em situação de rua conhecido como Macarrão, que vive na região do bar onde o cearense trabalhava. “Ele comprou bolo, colocou bola, pegou o Macarrão, que estava deitado lá na rua, e fez a festa”, contou uma amiga. O aniversariante, cujo nome verdadeiro é Paulo, chora ao lembrar do amigo. “Ele era uma pureza de homem”, destacou.




Inquérito policial aberto

A Polícia Militar afirmou que lamenta a morte do garçom e que equipes faziam um patrulhamento na região. Os agentes envolvidos no caso acabaram presos por desobediência de ordem e descumprimento de missão. Um inquérito policial militar foi aberto.

A Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste da cidade, investiga o caso.

O coronel Mauro Fliess, porta-voz da Polícia Militar, demonstrou solidariedade aos familiares e reafirmou que houve uma quebra de protocolo, pois a ação dos agentes não seguiu as ordens da corporação.

“Eles tinham uma missão específica, fora da comunidade, em relação ao percurso seguro, que justamente visa reduzir a mancha criminal e trazer tranquilidade para as pessoas. Eles receberam uma informação e se dirigiram para o interior da comunidade em busca de marginais. Isso foge ao nosso protocolo. Operações em áreas conflagradas precisam ser baseadas em inteligência, planejamento e superioridade numérica”, ressaltou Fliess.

Fonte: G1 Ceará
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