Membros de facção acusados de chacina com sete mortes em Fortaleza são julgados nesta quarta

Assassinatos ocorreram em três pontos do Bairro Benfica, incluindo a sede de torcida organizada do Fortaleza — Foto: Kleber A. Gonçalves/SVM

Três homens apontados como autores da Chacina do Benfica são julgados a partir desta quarta-feira (6). O julgamento deve ocorrer até quinta (7).

O julgamento por meio de júri popular de três acusados de uma sequência de sete assassinatos no Bairro Benfica, em Fortaleza, começa nesta quarta-feira (6). Douglas Matias da Silva, Francisco Elisson Chaves de Souza e Stefferson Mateus Rodrigues Fernandes são acusados de homicídio, tentativa de homicídio e organização criminosa. De acordo com o Ministério Público do Ceará (MPCE) os três são responsáveis pelo caso que ficou conhecido como Chacina do Benfica.

A matança aconteceu no Bairro Benfica na noite de 9 de março de 2018. Sete pessoas morreram e outras três ficaram feridas. O processo sobre a chacina tramita em segredo de Justiça na 5ª Vara do Júri da Comarca de Fortaleza.

O julgamento dos três ocorre após um ano e oito meses após as mortes e deve ser finalizado na quinta-feira (7). De acordo com o Tribunal de Justiça do Ceará, são necessários dois dias devido à complexidade do caso e quantidade de réus e vítimas.

'Quero que sejam condenados'




Antônio Carlos da Silva Barros, pai de uma das vítimas da matança, diz que espera que a Justiça seja feita: "Estou com depressão. Não vejo a hora que chegue o julgamento para eles pagarem. O que eu mais quero no mundo hoje é que eles sejam condenados. Eu não posso mais trazer meu filho de volta. Então, o que eu posso é querer Justiça", disse Antônio Carlos.

As vítimas da chacina são:

José Gilmar Furtado de Oliveira Júnior (33), morto na Praça da Gentilândia

Antônio Igor Moreira e Silva (26), morto na Praça da Gentilândia

Joaquim Vieira de Lucena Neto (21), morto na Praça da Gentilândia

Carlos Victor Meneses Barros (23), morto na Vila Demétrio

Pedro Braga Barroso Neto (22), vítima morta da Rua Joaquim Magalhães

Emilson Bandeira de Melo Júnior (27), baleado na Vila Demétrio, faleceu no hospital IJF

Adenilton da Silva Ferreira (24), baleado na Vila Demétrio, faleceu no hospital IJF

Dentre os três sobreviventes feridos no tiroteio está o professor Paulo Victor Policarpo. Paulo chegou a ficar em coma induzido e agora lida com as sequelas dos ferimentos. A mãe dele, Maria Valceli Oliveira Policarpo, ressalta que o filho deve depor nesta quarta. Para Valceli, 9 de março de 2018 foi o pior dia da sua vida.

"Desde que aconteceu isso nossa vida mudou muito. Eles interromperam a vida do meu filho e até hoje ele ainda não se recuperou totalmente. Tem sequelas na visão, ainda não está andando e não sei se consegue voltar a trabalhar. A cada dia ele tem melhoras. Tudo é em função de cuidar dele. Eu sei que os culpados têm que pagar e acredito que vão ser condenados. Foram várias vidas. Eu não penso muito neles, penso em reabilitar meu filho. Agora, que a Justiça seja feita", disse a mãe do professor.

Os acusados são membros de uma facção criminosa local. Três assassinatos ocorreram na sede de uma torcida organizada do Fortaleza, e a polícia chegou a afirmar que a chacina foi motivada por rixa entre torcidas rivais.

Dias depois, a Polícia Civil divulgou que a motivação para o massacre foi guerra entre facções rivais que disputam território para o tráfico de drogas. Além das mortes na área da torcida do Fortaleza, três pessoas foram assassinadas a tiros na Praça da Gentilândia, área que reúne principalmente universitários; em uma rua próxima à praça.



Fonte: G1 Ceará
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