Bica do Ipu será beneficiada com projeto piloto de recuperação de nascentes

Bica do Ipu voltou a jorrar com as chuvas ocorridas em janeiro e fevereiro deste ano — Foto: Sema/Divulgação
A cachoeira, que já foi perene, possui uma queda d'água de 130 metros e voltou a jorrar em janeiro deste ano.

A Área de Proteção Ambiental (APA) da Bica do Ipu, no interior do Ceará, receberá nesta sexta-feira (14) um projeto piloto de recuperação de nascentes. O “Preservação de Nascentes da Bacia do Acaraú”, lançado pelo Comitê de Bacia Hidrográfica (CBH), tem o objetivo de reflorestar a mata ciliar da unidade. A Bica do Ipu, maior cachoeira da Serra da Ibiapaba e atrativo turístico da região Norte, será beneficiada com as ações.

A cachoeira possui uma queda d'água de 130 metros e voltou a jorrar em janeiro deste ano, após chuvas da pré-estação.

“A maior preocupação recai sobre a Bica do Ipu, que era perene e hoje é sazonal. Houve desmatamento, queimadas, incêndios na região, que também tem uma atividade agrícola muito forte. Então, temos que preservá-la”, ressalta Tatiana Angelo, gestora da APA. Durante aproximadamente 1 ano, a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh) realizaram os estudos para operacionalizar a intervenção.

O evento conta com a participação do Comitê de Bacia Hidrográfica do Acaraú, Sema, Cogerh, Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH) e sociedade em geral.

O riacho Ipuçaba, que desemboca no rio Jatobá, no sertão cearense, será o primeiro a receber o projeto. A intervenção será feita em uma de suas nascentes, localizada no Sítio São Paulo, na Serra da Ibiapaba. Segundo Tatiana Angelo, o riacho pertence à bacia hidrográfica do rio Acaraú e forma diversas cachoeiras ao longo de seu trajeto, sendo a principal delas a Bica do Ipu. A recuperação das nascentes do riacho é considerada necessária devido às ações humanas.

A recuperação conta com o processo inicial de mapeamento e cercamento circundando a nascente em um raio de 50 metros. Em janeiro deste ano, a Cogerh realizou o cercamento com serviço feito com mão de obra e materiais próprios, portanto, com custos reduzidos. Após este processo, é feito o reflorestamento da área. O Comitê da Bacia Hidrográfica do Acaraú deve definir os prazos e execução da operação, que deve ser permanente.

Bacia do Acaraú

Além da nascente do Ipuçaba, outras áreas ao longo do rio Acaraú (370 metros de extensão) devem receber intervenções. “Preservar as nascentes, existentes em torno de toda a extensão do rio, é primordial. O objetivo do projeto é garantir a segurança hídrica para o momento presente e para o futuro”, ressalta o presidente do CBH, José Maria Gomes Vasconcelos. As nascente são protegidas por lei.

Além do Acaraú, o Ceará possui 11 bacias hidrográficas em seu território. Este ano, a Sema deve deve elaborar programas de reflorestamentos e criação de unidades de conservação para recuperar as nascentes dos principais rios.

“O governador [Camilo Santana] determinou que os secretários buscassem os comitês de bacias para recuperar as nascentes dos principais rios e afluentes do Estado com programas de reflorestamentos e criação de unidades de conservação”.

Fonte: G1/CE
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