Com crochê, exercícios e leitura, idosos cearenses encaram o período de isolamento em meio ao coronavírus

Maria Eliza Rocha tem 96 anos e exercita a paixão pelo crochê durante a quarentena — Foto: Arquivo pessoal

Pessoas com mais de 60 anos são considerados do grupo de risco e os mais frágeis se contraírem a doença.

Considerados grupo de risco, a saúde dos idosos nesse momento é uma preocupação comum em meio aos que acompanham os desdobramentos da pandemia de Covid-19, no mundo. No Ceará, três mortes pelo novo coronavírus foram confirmadas nesta quinta-feira (26), pela Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), todas de pessoas na terceira idade.

Apesar de muitos ainda serem ativos, o que estão fazendo os nossos idosos nesse período de isolamento social?

Maria Eliza Rocha, ou Dona Eliza, tem 96 anos e é residente do bairro Bom Jardim, na periferia de Fortaleza. Sempre foi muito ativa, mas está aproveitando esse momento de quarentena com a família, para exercitar sua outra paixão, o crochê. Fazendo dele a sua principal ocupação, para atravessar por esse momento difícil. “Nós estamos passando por essa crise, mas se Deus quiser vai passar”, acredita Dona Eliza.

Para Magda, conselheira tutelar, de 62 anos, a rotina que era de trabalho e faculdade mudou radicalmente. Agora ela passa o dia em casa com o esposo e a neta. “Todas as manhãs levantamos para fazer as atividades, mas de forma diferente, em vez de sair de casa, ficamos dentro de casa. Ele fica assistindo TV. Não quer falar muito sobre o coronavírus, ele é meio nervoso nesse assunto, mas está passando tranquilamente. Ele assiste desenhos animados, assiste filmes, que ele gosta. E eu, entre uma atividade e outra [dentro de casa], eu faço crochê”, contou sobre a sua nova rotina

Já para Francisca Bonfim, de 68 anos, ou Dona Francisca como é conhecida, a costura está funcionando como terapia nesse momento. Em isolamento social, a 1,5 quilômetros de distância da filha e das netas, a idosa que também é diabética está produzindo roupas para as bonecas das netas Hanna, de 5 anos e Isabelle, de 4 anos, como passatempo.

A professora do município, Maria Justino, de 64 anos, moradora do bairro José Walter, em Fortaleza, conta que procura ocupar o seu tempo, neste momento de quarentena, com leitura e exercícios. As atividades físicas são feitas com auxílio de vídeos do Youtube. “Tem horas que me sinto refém de um vírus, mas em outros momentos penso que seja um momento para refletirmos o quanto a humanidade está precisando disso. Desse aconchego familiar, dessa presença física das pessoas que amamos”, pontuou a professora.

Ações

Projetos como a Rede de Mulheres Empreendedoras Sustentável (Remes), que trabalha com um número significativo de idosas em suas ações, se tornam importantes instrumentos na conscientização sobre o novo coronavírus e no estímulo de atividades que ajude esse grupo nesse momento de isolamento social.

O Remes, que está presente em mais de 27 bairros de Fortaleza e em outros municípios, está estimulando as idosas que fazem parte da rede a continuarem produzindo seus artesanatos, mas , neste momento, dentro do casa. A comunicação e o trabalho com os mais velhos, em tempos de novo coronavírus, estão sendo feitos através do uso de telefones.

“A gente estimula que elas fiquem em casa fazendo arte, já que não podem sair. Nós aconselhamos também a família, inclusive estamos tendo [um maior] cuidado com quem ta tendo familiar que sai e volta, a idosa também é vulnerável em casa”, explicou Geni Sobreira, uma das fundadoras do projeto e coordenadora. Outra idosas também estão sendo estimuladas a escrever suas experiências, além de praticar exercícios.




Fonte: G1 Ceará
Compartilhar no G+