'Me sinto na obrigação de alertar as pessoas da seriedade que devemos tratar esse vírus', diz genro de primeiro cearense morto por Covid-19

José Maria Dutra, de 72 anos, morreu com Covid-19 na madrugada do dia 25 de março — Foto: Arquivo pessoal

José Maria Dutra, de 72 anos, estava internado no Hospital São José e morreu na madrugada do dia 25 de março.

A dor pela morte de José Maria Dutra, de 72 anos, primeira vítima do novo coronavírus no Ceará, despertou na família a necessidade de alertar outras pessoas sobre a necessidade de tomar cuidado com o vírus.

"Eu me sinto na obrigação de alertar as pessoas da seriedade que nós devemos tratar esse vírus. Estamos há 48 horas do óbito do meu sogro e o que a família tá sofrendo vocês não imaginam", disse o genro da vítima que conversou com o G1 neste sábado (28), Amilton Dourado

Até este sábado (28), a Secretaria da Saúde do Ceará registrou quatro mortes e 322 casos confirmados da Covid-19.

José Maria estava internado no Hospital São José quando morreu. Ele começou a sentir os sintomas de febre e falta de ar no dia 18 de março e se dirigiu à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Edson Queiroz. Foi medicado e voltou para casa. Dois dias depois, na sexta-feira (20), seu quadro de saúde piorou e ele foi internado na UTI do São José, onde morreu na madrugada de quinta-feira (25).

Apesar da idade, o genro conta que José Maria tinha uma rotina independente, mantendo a diabetes sob controle. "Meu sogro é um homem de 72 anos, tinha uma vida ativa, trabalhava. Era acometido por uma diabete, mas isso não o impedia de ir à luta, de sair todo dia pro trabalho, dirigia seu carro, tinha uma vida independente. A única coisa que tinha era a diabetes, mas ele controlava a diabetes dele, não era problema".

Luto solitário

A viúva de Dutra está isolada em casa em quarentena. "Você perde, no caso da minha sogra também, o seu esposo, com quem conviveu por mais de 40 anos. Viviam bem. Um sempre ao lado do outro. E hoje ela se encontra sozinha na casa dela, só com o filho. Os dois isolados, porque tiveram contato com ele e o protocolo manda que assim seja feito", disse

A quarentena é um obstáculo a mais para superar a dor da perda. "Sem receber um abraço dos demais filhos, sem poder ter contato com o mundo exterior, receber visitas. O que nós estamos vivendo hoje na família nos diz que a gente tem que alertar as outras famílias, as demais pessoas, do quanto têm que cuidar dos seus entes queridos, dos seus pais, dos seus avós", relatou.

Laudo

No laudo da morte consta que o idoso morreu em decorrência de uma insuficiência respiratória causada por uma infecção pulmonar por Covid-19. O sepultamento ocorreu na manhã de quarta-feira (26), no cemitério Jardim Metropolitano, em Eusébio, na Grande Fortaleza, horas depois da morte.

A rapidez em realizar todo o processo foi motivada por uma decisão da Justiça do Ceará, do dia 20 de março, que proíbe velórios de pessoas que morreram por Covid-19 e determina que o enterro deve ser feito assim que ocorra a liberação do corpo das unidades hospitalares. O fato pesou também no sentimento de perda da família, segundo Amilton.

Fonte: G1 Ceará
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