População de rua de Fortaleza recebe dormitórios extras, marmitas e kits de limpeza

Pessoas em situação de rua estão entre a população vulnerável à Covid-19 — Foto: Reprodução/TV Globo

Sem alimentação ou higiene adequadas, pessoas que vivem na rua estão vulneráveis à contaminação pela Covid-19. Além do poder público, voluntários se mobilizam para arrecadar donativos.

Abertura de dois dormitórios temporários, distribuição de kits de higiene e marmitas, campanha de vacinação contra H1N1, concessão de auxílios-moradia e sensibilização sobre assepsia e lavagem das mãos. A Prefeitura de Fortaleza, por meio da Secretaria Municipal dos Direitos Humanos e Desenvolvimento Social (SDHDS), anunciou um pacote de ações para prevenir a contaminação da população em situação de rua pelo novo coronavírus.

No Ceará, são mais de 150 casos da doença; no Brasil, são mais de dois mil casos e mais de 30 mortes.

Os dados do último censo dessa população estão defasados, mas em 2014, mostraram que 1.718 pessoas viviam nas ruas da Capital. Diante da pandemia da doença, a Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará expediu recomendação, nesta segunda (23), para garantir assistência a elas.

Os defensores públicos pedem que os serviços de apoio não sejam interrompidos e que haja aumento na oferta de alimentação; distribuição de kits de higiene; ampliação de locais para higienização e aumento do número de vagas para aluguel social. Além disso, recomenda a realização de testes nas pessoas em situação de rua com sintomas da covid-19 e uma campanha de vacinação contra o vírus H1N1.

Elpídio Nogueira, secretário da SDHDS, informa que dois dormitórios temporários devem ser abertos ainda nesta semana, como a proposta de isolamento. Um ficará na Avenida Almirante Barroso, na Praia de Iracema, para atender à área mais ao Centro; o outro, na Barra do Ceará, para contemplar quem está a Oeste.

“Queremos inaugurar nos próximos dois, três dias, e já estamos providenciando colchões, lençóis, alimentação. É a medida que estamos fazendo com mais urgência porque estando na rua, eles têm risco de serem contaminados e de sair contaminando outras pessoas”, explica o secretário. O número de vagas por unidade ainda não foi estabelecido.

Outro ponto do plano se refere a uma operação logística em que a SDHDS vai mapear locais e estabelecer horários para a entrega de marmitas. “Vamos entregar em grupos de 10 pessoas. Se tiver 20 pessoas, a gente entrega 10 num quarteirão e 10 em outro”, diz. Nogueira assegura que, no refeitório social do Centro e no restaurante popular da Parangaba, a orientação já é a evitar aglomerações.

O secretário pede que grupos voluntários de apoio evitem a distribuição de sopas, sanduíches e outros alimentos “porque pode ser que eles estejam contaminados, levando à migração do vírus de um local para outro”.

O movimento Fortaleza Invisível foi um dos que suspendeu as atividades, por segurança dos assistidos e dos participantes. “A gente se sente muito impotente porque não pode ir lá, interagir, mas vamos encontrando meios para ajudar. Percebemos que muitas pessoas se sensibilizam nesse momento, abrem o coração, se disponibilizam, querem doar”, destaca o voluntário Alyson Almeida, atuante há sete meses.

O grupo lançou uma campanha virtual para angariar donativos e comprar materiais de higiene. Em menos de 24 horas, foram arrecadados R$3,7 mil. A entrega deve ocorrer no próximo domingo (29), quando o plano original era comemorar o Dia Internacional da Mulher com aquelas que vivem na rua.

"Geralmente, a gente faz um almoço, mas não vamos porque podemos nos colocar em risco. Vamos montar os kits e distribuir em carros, para não termos tanto contato”, descreve Alyson. O percurso inclui pontos como a Praça do Ferreira, a Praça da Gentilândia e o bairro Jacarecanga.



Outra medida de apoio à população de rua é a concessão de auxílio-moradia para 144 pessoas, que será depositado pelos próximos quatro meses. O secretário solicitou mais 144 benefícios ao Ministério da Cidadania e aguarda posicionamento do Governo Federal.

Confira a lista de equipamentos assistenciais para a população de rua em Fortaleza:

Centro Pop Benfica - Av. João Pessoa, 4180

Centro Pop Centro - Rua Jaime Benévolo, 1059

Pousada Social e Centro de Convivência - Rua Solon Pinheiro, 898, Centro

Pousada Social - Av. Imperador, 775 - Centro

Unidade de Acolhimento Institucional de Homens - Av. Francisco Sá, nº 1833, Jacarecanga

Unidade de Acolhimento Institucional de Mulheres e Famílias - Rua Tenente Marques, 131, Presidente Kennedy

Casa de Passagem - Avenida da Universidade, 1885, Centro

Refeitório Social - Rua Padre Mororó, 686, Centro

Restaurante Popular - Av. Carlos Amora, 07, Parangaba

Avanço da doença no Ceará




O número de casos confirmados de pacientes com coronavírus no Ceará subiu para 125 de acordo com novo boletim epidemiológico divulgado neste domingo pela Secretaria da Saúde. Foram 41 casos a mais em relação ao último boletim divulgado no sábado (21). A quantidade de suspeitos e os casos descartados não são mais divulgados.

Somente em Fortaleza são mais de 70 casos casos. Outras cidades que registram casos confirmados da doença são: Aquiraz, Fortim, Juazeiro do Norte e Sobral. Um paciente natural de São Paulo foi diagnosticado com a Covid-19 no Ceará.

De sexta-feira (20) para sábado (21), o número de pessoas que testaram positivo no Ceará saltou de 68 para 84, conforme último balanço da Secretaria da Saúde (Sesa), um acréscimo de 23,5%.



Fonte: G1 Ceará
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