Coronavírus: funcionários de centros socioeducativos denunciam falta de proteção nas unidades do Ceará


Superintendiência Estadual promete entregar máscaras, álcool em gel e outros produtos ainda nessa semana.

Trabalhadores do sistema socioeducativo e a Defensoria Pública do Ceará estão preocupados com o risco de contágio do novo coronavírus (Covid-19) nas unidades do Estado. De acordo com os relatos, faltam equipamentos de proteção individual e ações mais efetivas nos espaços.

Segundo a Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo (Seas), "a aquisição de materiais como luvas, máscaras, sabão antisséptico e álcool gel vem sendo prioridade por parte desta instituição. Todavia, como é de conhecimento de todos, esses insumos encontram-se em absoluta carência no mercado".

Ainda assim, a Seas promete entregar, aos centros socioeducativos, um quantitativo desses materiais durante essa semana.

Material escasso

Um funcionário do sistema socioeducativo, que atua na Capital e preferiu não se identificar, contou ao G1 que o número de máscaras cirúrgicas distribuído nas unidades não é suficiente nem para os socioeducadores e não chega aos internos. O álcool em gel também é escasso.

Segundo o empregado, não há restrição no fluxo dentro dos centros socioeducativos e, apesar das aulas estarem suspensas, outras atividades acontecem normalmente e com aglomerações, como oficinas de música e prática de esportes como capoeira e futebol.

"Os funcionários se sentem muito expostos e vulneráveis. É um olhar que não é tido para o trabalhador, que tem familiares, muitos moram com idosos, crianças. Os internos também têm esse receio. Nas ligações para os familiares, eles falam isso", relata.

Outro funcionário, que também atua em Fortaleza e não quis se identificar, acredita que as equipes, que estão trabalhando sem Equipamentos de Proteção Individual suficientes, deveriam ser reduzidas.

"Quando o governador decretou a extensão desse ponto facultativo, pensamos que já se aplicaria à equipe técnica (pedagogos, psicólogos, serviços sociais). Só quem não poderiam parar, mesmo, seriam os socioeducadores. Mas poderiam ter o número reduzido", propõe.

Inspeção nas unidades

A Defensoria Pública do Ceará realizou uma inspeção em três centros socioeducativos de internação, o São Miguel, o Passaré e o Dom Bosco, localizados em Fortaleza, na última quinta-feira (26). O defensor público titular da 2ª Defensoria do Núcleo de Atendimento aos Jovens e Adolescentes em Conflito com a Lei (Nuaja), Francisco Rubens de Lima Júnior, confirma a falta de máscaras cirúrgicas e de álcool em gel, nas unidades.

De acordo com Francisco Rubens, a Seas tem se movimentado para adquirir equipamentos e tem orientado funcionários e internos sobre o risco da pandemia do Covid-19.

"Mas, na prática, ainda não há uma mudança completa na rotina de funcionamento das unidades. Eu vi com risco a aglomerações de profissionais, não há um plano de revezamento dos profissionais, as estruturas físicas são muito defasadas e um centro, especialmente, estava com condições sanitárias gravíssimas", relata.

Através de um ofício enviado na última sexta-feira (27), a Defensoria fez recomendações à Seas para o combate ao novo coronavírus. Dentre elas, a disponibilização de Equipamentos de Proteção Individual para todos os profissionais do Sistema, aumento da frequência de limpeza dos centros, diminuição do fluxo de pessoas, contratação de pessoal das áreas de limpeza e saúde e criação de um espaço de isolamento exclusivo para receber os novos jovens infratores, que podem estar com a doença.

A Defensoria ainda aguarda a decisão da Justiça Estadual sobre uma Ação Civil Pública, que pede a suspensão de todas as medidas socioeducativas de semiliberdade existentes no Estado, por 30 dias.

Resposta da Seas

Em nota, a Superintendência do Sistema Estadual de Atendimento Socioeducativo lembrou que "a natureza de seus serviços reveste-se de caráter essencial e, por isso, não pode paralisar suas atividades" e confirmou que as aulas estão suspensas, mas as atividades de lazer e esporte estão sendo realizadas "com grupos reduzidos e seguindo as orientações de higienização da equipe de Saúde".

Fonte: G1
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