Doentes em Manaus passam horas em busca de um leito devido à superlotação


Diretor do Samu disse que as ambulâncias ficam rodando com os doentes nas ruas até aparecer uma vaga. 96% dos leitos de UTI dos hospitais públicos do Amazonas estão ocupados.

Com a rede de saúde pública superlotada, doentes em Manaus passam horas em busca de um leito.

A ambulância do Samu parada em frente ao pronto-socorro 28 de agosto, o maior hospital público do Amazonas, está com um paciente à espera de uma vaga na unidade. É o pai da Emanuela, que está lá dentro. Seu Alcenor Batista, de 70 anos, está com febre, tosse e falta de ar.

“A enfermeira disse que não tem leito, que estão aguardando e que todos os hospitais estão lotados. A opção que eu tinha era aguardar aqui. Não sabe a hora, o momento para ele entrar ou voltar para casa”, conta a dona de casa Emanuela Florêncio.

Seu Alcenor conseguiu vaga, mas só em outra unidade e depois de três horas dentro da ambulância. O caso dele não é o único.

O diretor do Samu disse que as ambulâncias ficam rodando com os doentes nas ruas até aparecer uma vaga. “A gente pega o paciente - seja em casa, seja na rua, seja na transferência de um unidade baixa complexidade para outro de maior complexidade - e simplesmente não tem para onde levar o paciente. Ou melhor, ter tem, mas as unidades estão sobrecarregadas, estão lotadas. E o Samu não consegue deixar esse paciente em qualquer lugar que seja, seja SPA, seja os pronto-socorros”, afirma Ruy Abrahim.

96% dos leitos de UTI dos hospitais públicos do Amazonas estão ocupados, o que leva a quem precisa de atendimento a cometer atos de desespero. Dentro do carro, uma senhora passa mal. Apresentando sintomas da Covid-19, os familiares de Dona Amália se desesperam. Eles estão em frente ao hospital de campanha montado pelo governo do estado, que só atende pacientes vindos de outras unidades. “Não vão atender não? Não vão atender não?”, pedem. Depois da insistência, Dona Amália foi carregada para dentro do hospital. A equipe médica ainda tentou o procedimento de reanimação, mas ela não resistiu.

O governo do Amazonas afirma que a rede de saúde estadual já está com a lotação máxima e que agora trabalha com o governo federal para tentar ampliar a capacidade de atendimento.

Nesta quinta-feira (23), um avião hércules da Força Aérea Brasileira já trouxe para Manaus mais 20 respiradores hospitalares. Junto, uma segunda equipe com 13 voluntários da Força Nacional de Saúde. Eles vão substituir os primeiros voluntários que estão em Manaus há uma semana. São médicos, enfermeiros e fisioterapeutas que vão atuar nas unidades de alta complexidade.

A Secretaria de Saúde do Amazonas afirmou que o hospital de campanha não negou atendimento à paciente, que ela já teria chegado à unidade sem vida e que o hospital é área de risco biológico, exclusivo para pacientes com a Covid.

Fonte: G1
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