Gestante tem parto de emergência no Ceará após apresentar sintomas de Covid-19

A dona de casa Liziane Orestes, 41 anos, teve que realizar o parto de emergência em Maracanaú, após sentir os sintomas da Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal

Após o parto cesário, Liziane Orestes, 41 anos, foi entubada e não chegou a conhecer a filha.

Grávida de 36 semanas, a dona de casa Liziane Orestes, 41 anos, teve que realizar o parto de emergência em Maracanaú, na Grande Fortaleza, após sentir os primeiros sintomas da Covid-19. Marcada para a próxima segunda-feira (27), a cesariana aconteceu às 4h40 da última quinta-feira (23) porque a gestante passou a sentir falta de ar. A confirmação de que a Liziane estava com o novo coronavírus aconteceu somente após o parto e quando ela já estava entubada.

O Ceará já registrou 326 mortes e 5.667 casos de Covid-19, segundo dados atualizados até a noite de sábado (25).

Os primeiros sintomas da Covid-19 na dona de casa surgiram na manhã de quarta-feira (22), quando ela sentiu cansaço e falta de ar. Sem desconfiar que poderia estar com a doença, manteve a rotina e foi para consulta do pré-natal. No Hospital Ana Lima, unidade particular de Maracanaú, o médico percebeu que as manifestações da Covid-19 estavam mais acentuadas.

A consulta de rotina, porém, foi muito além do protocolo de análise do desenvolvimento da bebê. Ela teve que ir para o balão de oxigênio, mas, sem melhora, a equipe médica decidiu antecipar a cesária “para salvar a vida do bebê”. De acordo com Emily Mendes, prima da paciente, ela foi transferida no mesmo dia para uma maternidade, na Capital.

"Ela se mostrou muito preocupada tanto com ela quanto com a criança”, detalha Emily. Ao chegar na segunda unidade, recebeu os primeiros atendimentos. “Os médicos fizeram de imediato o teste da Covid-19, examinaram ela e a bebê. Eles resolveram fazer uma cesariana de urgência, pois ela estava muito cansada”, lembra.

Cirurgia

Maria Ester nasceu às 4h40 da quinta-feira (23). A mãe precisou ser entubada logo após o parto, antes mesmo da confirmação da doença pandêmica, que aconteceu às 10h do mesmo dia. Ela foi encaminhada para outro hospital e, desde então, segue internada com o mesmo suporte que ajuda na respiração.

A velocidade com que a dona de casa evoluiu por consequência do coronavírus preocupa familiares, que alimentam esperanças a cada atualização do quadro de saúde de Liziane. “Ontem à noite, os médicos ligaram pra gente e falaram que o caso dela é estável. Eles disseram pra gente pedir força a Deus porque eles estão medicando e tentando controlar os pulmões dela”.

Ela e o marido planejavam fazer um chá de fraldas, mas o isolamento social fez o casal desistir da ideia. Por esses motivos, conta Emily, a recém nascida tem poucos mantimentos. Os familiares organizaram uma campanha para arrecadar fraldas e leite, já que a bebê não pode ser amamentada pela mãe.

“A Ester veio ao mundo de forma inesperada e no meio de uma pandemia que estamos vivendo. E aí muita gente está doando diretamente na conta da avó da bebê, outras dão o endereço e a gente vai buscar. Tem sido uma verdadeira corrente de bem”, avalia.

Fonte: G1 Ceará
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