'Ele achava que não ia voltar', diz filha de servidor público que passou 16 dias internado com Covid-19 em Fortaleza

                       Adalberto (à direita) teve alta neste sábado (16) — Foto: Arquivo pessoal

Agora, a família se prepara para celebrar o aniversário dele, em casa.

Depois de 16 dias internado em hospital particular em Fortaleza, com diagnóstico de Covid-19, o servidor público Adalberto Rodrigues Bezerra, 56, voltou para casa neste sábado (16) com outra visão da doença - que antes não levava tão a sério. Segundo a filha, Giovanna Else Rodrigues, 23, as duas semanas de internação foram de aflição para toda a família. "Ele achava que não ia voltar", compartilha Giovanna.

“Ele voltou com outra cabeça. Ele não estava tão preocupado assim, não estava enxergando a gravidade do problema até passar pelo problema”, relembra Giovanna.

Agora, a família se prepara para comemorar o aniversário de Adalberto, no próximo dia 30.

Os sintomas de Covid-19 apareceram ainda em abril. Giovanna relata que o irmão, que trabalha no setor de Tecnologia da Informação de um hospital, apresentou sintomas e teve de se isolar na casa dos pais com o objetivo de não infectar os filhos pequenos. Ela acredita que foi devido à proximidade com ele que o pai entrou em contato com o vírus.

Depois da segunda vez passando mal por causa da falta de ar, Adalberto foi internado no dia 1º de maio. Apesar de não precisar de UTI ou ser entubado, ele necessitou de oxigênio e chegou a perder 12 quilos durante a internação.

A filha conta que, antes do diagnóstico, o pai saía de casa muitas vezes e subestimava a magnitude da pandemia.

“Agora ele não quer que ninguém saia”.




No período em que passou no hospital, o servidor só conseguiu se comunicar com a família uma vez utilizando o celular do paciente de leito vizinho. “A gente ficou muito apreensivo. A gente não tinha informação dele, não passavam por telefone e nem podia visitar. Não sabíamos de nada”, diz Giovanna.

A apreensão só aumentava por saber que o pai é de grupo de risco, já que é pré-diabético e obeso. Na volta para casa, o servidor público compartilhou com a família a gratidão por todos os profissionais de saúde envolvidos no seu cuidado.

Mesmo doente, durante a internação, Adalberto deixou transparecer um de seus traços de personalidade mais fortes: “Ele é muito comunicativo, daquelas pessoas que fazem amizade com todo mundo”, afirma a filha. Por isso, o pai criou laços com as pessoas que estavam internadas no mesmo quarto. Um dos pacientes, inclusive, já entrou em contato com Adalberto para dizer que está com saudade da companhia dele.

Agora em casa, Adalberto vai precisar fazer fisioterapia respiratória para completar o tratamento. A Covid-19 deixou o pulmão dele bastante comprometido. Ele também deve utilizar um nebulímetro, conhecido como bombinha de asma, para ajudar na falta de ar. Mas Giovanna reforça que o pai está bem.

Coronavírus no Ceará

O Ceará chegou neste domingo (17) a 24.255 registros de Covid-19 e 1.641 mortes, segundo a mais recente atualização da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde, às 17h11.

Fortaleza contabiliza 1.174 óbitos e 15.371 casos da enfermidade. O total de pessoas que conseguiram se recuperar da infecção no estado é de 13.357 pacientes.

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Os números apresentados pela Secretaria da Saúde são atualizados permanentemente e fazem referência à disponibilidade dos resultados dos testes para detectar a presença dos vírus, ou seja, não necessariamente correspondem à data da morte ou do início da apresentação dos sintomas pelo paciente.

Veja outras informações da plataforma:

São 37.495 casos suspeitos;

61.238 testes realizados;

A taxa de letalidade da doença no CE é de 6,8%.

89% dos leitos ocupados no Ceará

Enquanto os números de contaminação e óbitos pela Covid-19 crescem no Ceará, a quantidade de leitos das UTIs do estado atinge sua capacidade máxima, registrando 89,6% de ocupação na tarde deste sábado (16), conforme dados oficiais da Secretaria da Saúde. São 27 unidades de saúde do Ceará com taxa acima de 80%.

Fortaleza tem a situação mais preocupante, com pelo menos 17 hospitais, entre públicos e privados, com 100% ou mais dos leitos ocupados, incluindo a unidade de campanha Leonardo da Vinci. Outras unidades da capital cearense, como o Hospital Cura Dars (95,83%) e o Instituto Dr. José Frota Central (92,86%), também apresentam situação delicada.

Lockdown

No último dia 8 de maio, foram implementadas medidas mais rígidas para o isolamento social na capital cearense, conforme anunciado pelo governador do estado, Camilo Santana, e pelo prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.

Nesta sexta-feira, em live no Facebook, que os postos de Fortaleza passam a receitar combinação de corticoide e antibiótico a pacientes com sintomas leves de Covid-19



Fonte: G1 Ceará
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