Familiares relatam lotação e falta de informação sobre pacientes na UPA do Autran Nunes, em Fortaleza

Francirégia Ribeiro aguarda informações do esposo, internado com suspeita de Covid-19 em Fortaleza — Foto: Halisson Ferreira/SVM

Secretaria da Saúde diz que a lotação nas UPAs ocorre devido ao fluxo dos pacientes com Covid-19 e com outras doenças comuns nessa época do ano.

A situação dos familiares de pacientes infectados pela Covid-19 nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) em Fortaleza é de espera constante. De acordo com pessoas que aguardam na entrada das unidades da capital neste sábado (2), a superlotação é uma realidade que tem prejudicado a assistência adequada.

Segundo a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a lotação nas UPAs ocorre devido ao fluxo dos pacientes com Covid-19 e com outras doenças comuns nessa época do ano.

Para Francirégia Ribeiro, que viu o marido ser internado na UPA do Autran Nunes, bairro periférico, a falta de notícias sobre o estado de saúde do paciente tem sido "angustiante". O esposo dela, José Lima Cunha, 60, começou a apresentar os sintomas da doença causada pelo novo coronavírus por meio do aumento na temperatura corporal.

“Ele estava sentindo febre e ficou quatro dias assim. De segunda para terça, começou a apresentar um cansaço muito forte. Começou a ficar pior e foi no dia que trouxe ele até aqui. Ele foi internado e não soube notícia”, explicou.

Em nota, a Secretaria da Saúde informou que "sobre o paciente José Lima Cunha, a Central de Regulação continua em contato com a equipe médica da UPA para atualização do quadro clínico dele e previsão de transferência, conforme disponibilidade de leito em hospital de referência".

“As UPAs atendem casos de urgência e/ou emergência com a finalidade de estabilizar o paciente e encaminhá-lo para o serviço especializado que seja necessário para a recuperação. Esses pacientes são regulados na central de leitos e transferidos para um hospital de referência", acrescentou a nota.

Falta de informações

As informações recebidas pela família até então, relata Francirégia, foram escassas. “Só soube notícia do médico dizendo que ele estava estável. A assistente social mandou eu entrar para assinar a transferência dele, mas até agora nada. Provavelmente, é porque ele vai precisar de uma UTI”.

Ela conta que o marido fez o teste para o novo coronavírus e deve receber o resultado ainda neste sábado.

No entanto, Francirégia acredita que a situação de José é cada dia mais complicada. “Ele não está nada estável. Teve duas paradas cardíacas e está com quatro dias que se encontra aqui. Faz tempo que não o vejo porque não deixam eu vê-lo”, lamenta. De acordo com ela, o marido também estaria fazendo queixas por conta de banho e falta de alimentação.

Notícia triste

Enquanto isso, também na porta da unidade de saúde, João Paulo de Araújo Monteiro ficou sabendo do falecimento da mãe. “Foi uma notícia muito triste. Quando o médico ligou, eu vim até aqui com a esperança e feliz de que fosse a transferência, mas era pra dizer que ela teve duas paradas cardíacas”, contou.

Dois testes rápidos haviam descartado a doença anteriormente, mas o agravamento dos sintomas e um novo teste mostrou o diagnóstico positivo para covid-19.

“Tudo começou há mais ou menos dez dias. Ela foi na UPA da Serrinha pela primeira vez e fez o teste rápido duas vezes. O médico chegou a dizer que ela não estava com o coronavírus, disse que era uma bactéria. Chegou a tomar antibiótico, e foi para casa e ficou tomando os remédios direitinho. Quanto mais tomou, mais ficava mal. Foi quando ela veio para cá e constou que ela estava com a covid”, disse.

Na madrugada deste sábado, a idosa teria sofrido com duas paradas cardíacas. Não resistiu à segunda. "É muito doloroso perder uma mãe assim", relatou.

Fonte: G1 Ceará
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