Motorista de aplicativo internado por Covid-19 em Fortaleza recebe alta e faz apelo: "Fique em casa"

Motorista Anderson Júnior recebeu alta após mais de duas semanas internado em Fortaleza por Covid-19 — Foto: Arquivo pessoal

Homem passou mais de duas semanas em hospital após ser infectado pelo novo coronavírus.

"Fique em casa. Se for sair use máscaras. Não visite ninguém", esse é o apelo do cearense Anderson Júnior. Aos 39 anos, o motorista de aplicativo viveu momentos difíceis por conta do novo coronavírus. Estava internado no Hospital Leonardo Da Vinci, em Fortaleza, e só recebeu alta na sexta-feira (1). Foram mais de duas semanas de medo e apreensão.

"Tinha pedido a Deus que não deixasse eu morrer lá e quando cheguei no Leonardo da Vinci foi onde começou todo o tratamento", conta.

Cuidados

Anderson detalha que a unidade hospitalar, montada especialmente para o enfrentamento da pandemia, estava lotada. Contudo, elogiou o trabalho dos médicos. Agradeceu enfermeiras e toda a equipe. Da turma da limpeza à direção do hospital.

Na volta para casa, o motorista continua os cuidados com repouso, alimentação saudável e bastante hidratação. Segue isolado em quarto separado, mas a presença amorosa da família é fiel. "Minha esposa foi guerreira, mulher de Deus", divide.

Enquanto motorista de aplicativo, Anderson reevla que não podia parar de trabalhar. O sustento da família falou alto. Além da esposa, são mais dois meninos. Um adolescente de 16 e um pequeno com apenas dois anos. "Me protegia, mas em alguma falha peguei o vírus", recorda.

Diante de todo o pesadelo que passou, Anderson explica que é importante alertar a população. Seu exemplo de superação, acredita ele, pode ajudar na conscientização de outros.

"Fique em casa. Se for sair use máscaras. Não visite ninguém. Se necessário vá de máscara e se previna com álcool gel e lavando as mãos", apela.

Covid-19 no Ceará

O número de casos de Covid-19 no Ceará chegou a 8.309 conforme dados divulgados pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), na plataforma IntegraSUS, por volta de 17h16 deste sábado (2). O número de mortes passou de 590 entre a atualização da manhã para 638 no fim tarde.




No intervalo de 24 horas foram confirmados 99 óbitos no estado, levando em consideração o boletim das 17 horas desta sexta-feira (1º), quando foram registrados 539 óbitos pela doença.

Fortaleza, epicentro da contaminação pelo vírus no estado, também registra aumento nos casos, com 6.353 diagnósticos e 498 mortes em decorrência da Covid-19.

Os números apresentados pela Secretaria da Saúde fazem referência à disponibilidade dos resultados dos testes para detectar a presença dos vírus, o que não corresponde necessariamente à data da morte ou do início da apresentação dos sintomas pelo paciente.

Veja outras informações da plataforma divulgadas neste sábado (2):

São 24.408 casos suspeitos;

27.140 testes realizados;

A taxa de letalidade da doença no CE é de 7,7%;

149 municípios cearenses tiveram diagnósticos positivos da Covid-19.

Medidas de isolamento mais rígidas

O governador do Ceará Camilo Santana afirmou, no início da noite desta sexta-feira (1º), que vai prorrogar o decreto de isolamento social e que avalia medidas ainda mais duras, principalmente, em Fortaleza. O atual decreto proíbe, até 5 de maio, aglomerações e o funcionamento de serviços não essenciais em todo o estado.

“Estamos aqui discutindo, não só a necessidade, que com certeza faremos, da prorrogação do decreto que vence na próxima terça-feira, mas estamos avaliando a necessidade de endurecermos as medidas aqui na capital, aqui em Fortaleza”, disse o governador, durante coletiva de imprensa com o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio.

Curva em ascensão

Durante a coletiva, Camilo Santana também anunciou a abertura de 100 novos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) até o fim da próxima semana em Fortaleza. Além disso, declarou ainda que o Centro de Formação Olímpica (CFO), localizado no Bairro Castelão, também terá estrutura para atender casos de Covid-19 com menor complexidade.

Apesar da ampliação dos leitos, os chefes do executivo estadual e municipal alertaram que a população deve contribuir de forma mais efetiva com o isolamento social, tendo em vista que o atendimento disponível nas unidades de saúde não deve conseguir acompanhar a evolução rápida dos casos de Covid-19 no estado.

"A velocidade do número de casos tem sido maior do que a nossa implantação de leitos aqui na capital. Há uma necessidade de diminuir essa velocidade para garantir que as pessoas possam ser atendidas, possam ter direito a ter um leito hospitalar", pontuou Camilo.

"Não haverá leitos suficientes se não houver isolamento efetivamente cumprido", complementa Roberto Cláudio.



Fonte: G1 Ceará
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