Pesquisa nacional sobre novo coronavírus encontra resistência no interior do Ceará por falta de informação


Pesquisadores tiveram problemas em quatro cidades do Ceará.

Pesquisadores de estudo de campo sobre a propagação do coronavírus no Brasil têm enfrentado dificuldade. A pesquisa intitulada ‘Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19’ é realizada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) a pedido do Ministério da Saúde em 133 cidades do País. E, segundo o reitor da UFPel, Pedro Hallal, em 75 municípios houve algum tipo de problema. Quatro deles estão no Ceará.

O impasse acontece por causa da falta de informação repassada pelo ministério às secretarias da saúde dos municípios. Em Crateús, Iguatu, Juazeiro do Norte e Sobral, as pastas não foram comunicadas, e o trabalho dos pesquisadores foi interrompido.

A única cidade cearense a não registrar problema na execução da pesquisa foi Quixadá. Em nota, a Secretaria da Saúde do Município esclareceu que recebeu um comunicado do ministério sobre a pesquisa.

Segundo a UFPel, o Ministério da Saúde teria enviado comunicado para as secretarias estaduais da saúde sobre a realização do estudo. No entanto, essa informação não teria chegado a parte das prefeituras.

O G1 tentou contato com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) para saber se a pasta foi previamente informada sobre a pesquisa. Não houve retorno até a publicação deste texto.

“Não fomos informados”, disse o gestor de Saúde de Iguatu, Georgy Xavier. “Aqui também não houve comunicação prévia”, disse a secretária de Crateús, Elizabeth Machado.

Problemas no interior

Na cidade de Iguatu, na região Centro-Sul do Ceará, a equipe de pesquisadores foi conduzida à delegacia e o material foi apreendido e entregue à Vigilância Sanitária do Município para ser descartado. “Estava tudo em um quarto de pousada, acondicionado de forma errada e os testes não tinham registros do Ministério da Saúde”, observou a presidente do Conselho das Secretarias Municipais de Saúde do Ceará (Cosems), Sayona Moura.

O fiscal da Vigilância Sanitária de Iguatu, Vinícius Sales, disse que “a equipe não estava com equipamentos de proteção individual. Alguns usavam bermudas e não sabiam onde descartar o material de forma adequada”.

Em Juazeiro do Norte, o trabalho foi interrompido e a equipe voltou a Fortaleza. “Estamos oficializando todos os termos para podermos desempenhar nossa pesquisa da melhor forma possível”, explicou a pesquisadora Eubenice Uchoa.

Na cidade de Sobral, após impasse inicial causado por denúncias de moradores, a Secretaria da Saúde entrou em contato com o ministério e a pesquisa foi liberada. No entanto, apesar do aval da Prefeitura, os pesquisadores relatam dificuldades para executar o trabalho. A maioria dos moradores se recusa a participar.

Críticas

Para Sayonara Moura, presidente do Cosems, a forma como a pesquisa começou no Ceará mostra que houve falta de planejamento das ações pelo Ministério da Saúde. “Considero muito grave, pois os pesquisadores não são técnicos de enfermagem e nem enfermeiros. Há indícios de exercício ilegal da profissão e de risco para a saúde, pois condicionam o material de forma incorreta”, denuncia.

O delegado de Polícia Civil de Iguatu, Wesley Alves, esclareceu que os pesquisadores que atuavam no Município vão responder judicialmente por colocar em risco a saúde da população e por prática de exercício ilegal da profissão.

A pesquisadora Joana Porto ressaltou que toda a equipe recebeu treinamento para desempenhar o trabalho no estudo.

Pesquisa

A pesquisa faz parte do estudo ‘Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19’ e deve ser realizada em 99.750 pessoas de 133 municípios de todas as regiões do país. Os participantes serão submetidos ao teste rápido (sorologia), que identifica se a pessoa já teve a doença.

O estudo deve ter três etapas. Em cada uma, 250 moradores de cada cidade são ouvidos sobre isolamento social e estado de saúde, e é aplicado o teste rápido para Covid-19.

O objetivo é ter uma visão mais precisa do número de pessoas infectadas pelo coronavírus, que pode ser muito maior que o oficialmente registrado.

Coronavírus no Ceará

O número de mortes registradas por Covid-19 no Ceará aumentou em mais 107 entre domingo (17) e esta segunda-feira (18). Até a última atualização do sistema IntegraSUS, o estado registrava 1.748 óbitos com o diagnóstico de contaminação pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2). São 26.363 pessoas que contraíram a enfermidade no estado.

Em Fortaleza confirma-se 1.253 pessoas que perderam a vida com a Covid-19, enquanto 16.168 contraíram o vírus.

Em todo o estado houve a recuperação de 14.473 pessoas.

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Os números apresentados pela Secretaria da Saúde são atualizados permanentemente e fazem referência à disponibilidade dos resultados dos testes para detectar a presença dos vírus, ou seja, não necessariamente correspondem à data da morte ou do início da apresentação dos sintomas pelo paciente.




Fonte: G1 Ceará
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