Projeto distribui alimentos e leva mensagens a pessoas em situação de rua em Fortaleza

             Itens como água e alimentos são distribuídos em Fortaleza. — Foto: Arquivo pessoal

A ação começou em abril e já realizou a entrega de mais de 450 refeições.

Criado para dar alimentos a pessoas em situação de rua, em Fortaleza, o projeto Sem Fome já distribuiu mais de 450 refeições na capital cearense durante a pandemia do novo coronavírus. E as comidas são distribuídas com um diferencial. Na tampa de cada quentinha, os doadores escrevem mensagens de apoio e incentivo às pessoas mais vulneráveis.

“Fazemos questão de colocar. É uma forma de se aproximar com carinho", explica a gerente de loja Juliana Leite, criadora da ação.

“A ideia é ajudar a população mais vulnerável com o fechamento do comércio durante o isolamento social. Isso comoveu muito a gente. Eles dependem de restaurantes, de pessoas. Dependem disso e não está tendo”, comenta Juliana.




Além das refeições, em duas ações também foram doados materiais de higiene pessoal e 300 garrafas de água.

Apoio

Para arrecadar alimentos, inicialmente a família de Juliana procurou amigos e conhecidos. “A ideia era receber na minha casa naquela noite e aí distribuir para quem precisasse. Fui dormir uma hora da manhã organizando tudo. Tinha que ser comida bem servida para poder alimentar bem”, pontua Juliana.

Com a ajuda, conseguiram montar 150 marmitas, parte delas arrecadas com um amigo dono de restaurante. O primeiro ponto de distribuição foi a Avenida Tristão Gonçalves, no Centro da capital. E a quantidade de gente à procura de comida surpreendeu. “Quando chegamos, um grupo de freiras já estava fazendo distribuição, mas era tanta gente que elas não davam conta”, relembra.

O gesto ganhou outra proporção ao ser divulgado em redes sociais. “Ele era um projeto sem nome, foi feito muito rápido.” recorda Juliana. Graças aos compartilhamentos, o Sem Fome passou a receber doações de fora do estado.

“No mesmo dia chegaram mensagens de amigos de fora perguntando como poderiam ajudar. Recebemos doação do Paraná, do Rio Grande do Sul e até da Austrália. Também recebemos vídeos de jogadores de futebol com o Marcelo Cirino. Isso mobilizou demais”, comemora a gerente.

Atletas como Everton (São Paulo), Ricardinho (Ceará), Ricardo Bueno (Buriram United), Yuri César Jr., Madson e Luiz Gustavo (Fortaleza) também mostraram apoio. Craques que já brilharam nos gramados também estão unidos pela iniciativa. São os casos de Michel, Júnior Pipoca, Iarley e Mota. O técnico de basquete Roberto Andrade e a promessa do surfe, o cearense José Brack, também integram a rede solidária.

Com o aumento de ofertas, a equipe precisou aumentar e outras duas ações, uma no próximo dia 21 e a outra em 14 de junho, serão realizadas. Apesar de pensada para ajudar durante o isolamento social, Juliana garante que a ação não deve parar. “Já temos caixa para os próximos eventos. Eu faço questão que a gente distribua mil quentinhas. Vamos continuar até depois da pandemia”, garante.

Fonte: G1 Ceará
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