Chefes de grupo que se passava por desembargadores para aplicar golpes são presos em ação das Polícias Civil do CE e do PI


Os suspeito passam informações falsas sobre o recebimento de precatórios e cobram taxas cartorárias das vítimas. O distanciamento social foi utilizado como pretexto para realizar os processos por telefone.

Uma operação conjunta da Polícia Civil dos estados do Ceará e Piauí resultou nas prisões de 11 pessoas envolvidas em um esquema de golpes no qual os criminosos se passam autoridades públicas para enganar as vítimas. Os suspeitos se passavam por desembargadores e auditores para cobrar taxas cartorárias irregulares

Nesta fase da operação, nomeada de 'Precatórios', a polícia teve como alvo os chefes da organização criminosa. Na primeira fase, deflagrada em março, outros 11 suspeitos do golpe foram presos na Grande Fortaleza. Um dos criminosos chegou a se passar pelo presidente do Tribunal de Justiça do Piauí para aplicar o golpe em uma mulher.

Segundo a polícia, os golpistas forneciam informações falsas e prometiam liberar pagamentos de precatórios, que são créditos devidos por governos. Para ter os créditos liberadores, as vítimas deveriam pagar supostas taxas de cartório.

As prisões desta terça-feira, todas realizadas no Ceará, atingem os líderes da organização criminosa. As investigações indicam que os criminosos atuaram também nos estados de Alagoas, Paraíba, Sergipe, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Pandemia

Nesta segunda fase, investigações indicam que os suspeitos utilizaram a pandemia do novo coronavírus como pretexto para o golpe.

Conforme o Delegado Matheus Zanatta, gerente da Polícia Especializada da Delegacia Geral de Polícia Civil e responsável pela operação, a organização criminosa fez mais de mil vítimas, entre golpes consumados e golpes tentados.

Conforme a Polícia Civil, os golpistas ligavam para as vítimas, avisando que teriam dinheiro de precatórios disponível e forneciam o contato de outro criminoso, que se identificava como desembargadores. O desembargador falso então cobrava dinheiro das vítimas, afirmando ser de taxas cartorárias.



Segundo o delegado Yan Brainer, boa parte das vítimas era idosa, vulnerável e algumas com doença degenerativas. Os golpistas afirmaram que o processo deveria ser feito por telefone, para evitar o deslocamento aos tribunais, em decorrência da distanciamento social como prevenção à Covid-19.

A segunda fase mobilizou 50 policiais civis do Piauí e do Ceará. A Operação Precatório contou com efetivo do Departamento de Polícia Judiciária Metropolitana (DJPM), da Delegacia Metropolitana de Maracanaú, além de equipes do 18º, 24º e 28º Distritos Policiais da Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE). Pelo Piauí, as equipes que participaram da ofensiva fazem parte da Gerência de Polícia Especializada da Delegacia Geral de Polícia Civil, Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI) e Diretoria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Piauí (DINT-SSP).

Fonte: G1
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