Hospital de saúde mental em Fortaleza confirma pacientes psiquiátricos internados com a Covid-19


O Hospital conta com 20 leitos para tratamento de pacientes com Covid-19 ou com suspeita

O Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto, em Fortaleza, no bairro Messejana, tem 6 pacientes confirmados com coronavírus e 10 internados com suspeita em investigação.

Em março, a unidade hospitalar que é a única emergência psiquiátrica pública do Ceará começou a receber, de modo esporádico, pessoas com suspeita da doença. No final de maio, devido o avanço do número de pacientes psiquiátricos com Covid ou suspeita, o hospital teve que garantir duas alas voltadas a esse atendimento.

Nesta pandemia, diante da necessidade de pacientes em crises psiquiátricas, mas que estão ou podem estar contaminados por coronavírus no Ceará, o diretor clínico do Hospital, psiquiatra Carlos Celso, diz que foi preciso incrementar a estrutura e garantir médicos clínicos-gerais 24 horas na unidade.

Desde a penúltima semana de maio, o Hospital conta com 20 leitos para tratamento de pacientes com Covid-19 ou com suspeita. “Fizemos uma reunião de planejamento e vimos que era impossível não entrar pacientes com Covid no Hospital Mental e era impossível não haver complicações”, diz ele.

O médico relata que são duas alas: a clínica, com pessoas em investigação, e a Covid, com casos confirmados ou “fortemente suspeitos”.

“A porta de entrada do nosso Hospital é tratamento psiquiátrico. Então, não atendemos pacientes que a principal demanda seja de Covid. Atendemos pacientes psiquiátricos, que estejam com demandas psiquiátricas. Só que sabemos que, nessa situação de ampla disseminação do quadro viral da Covid, é inevitável atendermos pacientes com demandas psiquiátricas de urgência que tenham Covid. Mas que a Covid, no caso, clinicamente, não supera o risco psiquiátrico. Como assim? A emergência psiquiátrica é maior do que a emergência clínica”, explica Celso.

Em tempos convencionais, a emergência psiquiátrica recebe, sobretudo, pessoas de Fortaleza e da Região Metropolitana. No entanto, pacientes de cidades do interior também buscam atendimento. Nesse momento da pandemia, relata o médico, a origem dos pacientes segue esta mesma dinâmica.

“O Hospital se equipou com alguns leitos com ponto de 02 (oxigênio). Estamos disponibilizando um respirador de transporte, não é um respirador de manutenção, porque no Hospital nós não temos UTI. Então, se algum dos nossos pacientes que está com Covid piorar, ele vai ser entubado, colocado nesse ventilador e transferido para algum hospital, como HGF ou Leonardo da Vinci”, conta o diretor clínico da unidade.

O Hospital de Saúde Mental, durante a pandemia, nos meses de março, abril e maio realizou 4.383 atendimentos na emergência.

Demandas por transferência

Os pacientes confirmados, relata o médico Carlos Celso, ficam em observação 24h. “Eles fazem o tratamento conforme os protocolos medicamentosos estabelecidos pela Secretaria da Saúde. Eles vão sendo avaliados conforme a evolução e, em caso de piora, ele é imediatamente regulado. É colocado na central de leitos para ir para um hospital clínico que tem mais suporte que o nosso”, afirma.

Além disso, há outra dinâmica recente: o acolhimento de pacientes psiquiátricos no Hospital de Saúde Mental que foram contaminados e receberam tratamento em outras unidades. Um exemplo é que a unidade de saúde foi acionada, na semana passada, para receber um paciente oriundo do Hospital Leonardo da Vinci, destinado a pacientes específicos de Covid. “É um paciente que tinha uma demanda de saúde mental, mas a demanda da infecção por Covid era mais urgente. Precisou de atendimento, foi estabilizado, mas aí não resolveu o quadro psiquiátrico. Então, ele estava lá com o transtorno mental não 100% controlado e foi mandado para a gente”. A perspectiva é que, em casos assim, o paciente continue o tratamento nas alas específicas em Messejana.

Mais de 50 mil diagnósticos positivos de Covid-19 já foram registrados no Ceará. Os dados da plataforma IntegraSUS, da Secretaria da Saúde, apontam 50.504 casos confirmados da doença, além de 3.188 mortes em decorrência da enfermidade. A última atualização foi às 14h53 desta segunda-feira (1º).

Fonte: G1
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